Desde o aparecimento do software Bitcoin, que o preço da criptomoeda reina num processo ascendente, e embora existam grandes subidas, também se verificam importantes correções quando analisadas ao longo do tempo, pois em regra, estas representam um valor de cerca de dez vezes, o preço que uma bitcoin tinha, à doze ou dezoito meses atrás.

A tendência de aumentar o valor de forma constante ao longo do tempo deve-se a diferentes parâmetros estabelecidos para que as bitcoins sejam deflacionadas. Assim, um limite estabelecido no número total de moedas que serão colocadas em circulação, a redução progressiva da taxa de emissão de bitcoin e a acumulação destas, são os três principais fatores que têm tornado as bitcoins deflacionadas.

Além disso, ao longo do tempo encontramos fortes aumentos do preço de cada bitcoin, que pode multiplicar o seu valor várias vezes, levando a um processo de euforia que dura geralmente poucos meses, e ao qual se segue um longo processo de queda do preço de cada bitcoin ou depressão, e que geralmente é bastante pronunciado.

Durante o período em que o valor das bitcoins sobe, existe uma acumulação destas antes da inflação descontrolada, levando a que o preço de um produto possa ser estável, mas a quantidade de bitcoins a pagar por esse produto cai significativamente. Por outro lado, no processo inverso, durante os períodos de queda de valor das bitcoins, os produtos custam mais bitcoins, apesar do seu valor unitário se manter ao longo do tempo.

Deflação e inflação

A economia tem dois períodos correlacionados em termos do valor dos produtos e do valor do dinheiro fiduciário. Durante o processo de deflação, o preço dos produtos cai e, portanto, o valor do dinheiro fiduciário aumenta. Durante o processo de inflação, o preço dos produtos aumenta, portanto, o valor do dinheiro fiduciário é reduzido.

Deflação: É um declínio generalizado e prolongado nos preços de bens e serviços, que geralmente é caracterizado por uma diminuição na procura (as pessoas compram menos) e um aumento na oferta. Este período é geralmente associado a processos de recessão económica e crises económico financeiras. O que por norma também implica uma redução na atividade económica, aumento do desemprego, aumento da incerteza económica, aumento das taxas de juros devido à desaceleração da economia e uma queda real na procura de produtos.

Inflação: É um aumento generalizado e sustentado, dos preços dos produtos ao longo de um período, que em regra é de aproximadamente um ano. Quando isso acontece, uma quantidade maior de dinheiro é necessária para adquirir a mesma quantidade de bens e serviços que antes desse processo, o que se traduz numa diminuição na capacidade de compra.

Podemos resumir a deflação como um período de tempo em que as pessoas têm maior poder de compra, podendo adquirir mais bens e serviços por um custo menor, e a inflação é o processo inverso, em que as pessoas têm menos poder de compra, podendo adquirir menos bens e serviços com o mesmo dinheiro.

Se olharmos para a inflação, aqui pode haver um aumento de preços, que consequentemente levaria a um aumento de lucros para as empresas e possivelmente um aumento dos salários dos trabalhadores (embora esse ponto não precise acontecer). Se o aumento salarial não for dado neste cenário, o que acabaria por acontecer seria que as pessoas não conseguiriam ter acesso a bens e serviços básicos, levando ao empobrecimento das mesmas e uma contração da economia.

Deflação na Bitcoin

A natureza da Bitcoin contém duas regras principais:

  1. Apenas serão emitidas 21 milhões de moedas;
  2. A cada quatro anos há uma redução de 50% na recompensa da bitcoin, que os mineiros recebem pela validação dos blocos. Essa redução é chamada de halving.

(Além disso, deve-se ter em conta que tanto a acumulação, quanto a adoção pelos usuários fazem com que o valor continue a aumentar)

Massa monetária limitada

O primeiro fator importante que influencia o facto das bitcoins aumentarem de valor, está na limitação da emissão da oferta monetária (quantidade total de bitcoins que existirão) e no processo de halving. Estes dois elementos fazem com que a quantidade de moedas digitais totais, que podem ser distribuídas seja finita, e que a libertação de moedas seja ajustada automaticamente a cada quatro anos, tornando o processo transparente e que implica um aumento no seu valor, pois a cada 10 minutos há menos quantidade de moeda que chegará ao mercado.

Redução progressiva da emissão

No processo de mineração da Bitcoin existem algumas regras que estabelecem um consenso de que todos os mineradores e nós (nodes) envolvidos respeitam. A blockchain da Bitcoin requer que os mineradores validem as transações e gerem blocos, além de exigir que os nós verifiquem os blocos, armazenem e divulguem os mesmos na rede. A mineração é motivada por dois fatores: as comissões das transações e a recompensa pela criação dos blocos.

Quando uma transação é feita com bitcoins (e com praticamente a maioria das criptomoedas do mercado), além da quantidade que é enviada ao destinatário, existe também a quantidade associada à comissão, que o minerador que validou a transação em questão, manterá.

Além disso, os mineiros recebem uma recompensa pela validação das transações e a criação dos blocos. Cada um desses blocos inclui uma certa quantidade de novas bitcoins que são colocadas em circulação para troca ou armazenamento.

Esta forma de emissão, tem programada uma redução gradual da quantidade de bitcoins que são emitidas ou descobertas em cada novo bloco. No código da Bitcoin, é estabelecido que a cada 210.000 blocos, a quantidade das bitcoins emitidas em cada bloco, será reduzida em 50%, num processo que como já mencionamos é chamado de halving.

Assim, a cada dez minutos, uma certa quantidade de bitcoins é injetada na rede, que é ajustada de quatro em quatro anos. Desta forma será em 2140 que o processo de libertação das bitcoins irá terminar. A partir desse momento os mineiros dependerão apenas das comissões das transações.

Consumo energético

Outro fator importante é o consumo de energia necessário para manter a blockchain e a segurança da rede Bitcoin. Os mineradores e os nós têm como incentivo para manter a rede, a recompensa de receber fixo a cada 10 blocos, mas que varia a cada quatro anos. Desta forma eles são compensados pelo custo energético, computacional e temporal para estas operações.

Quando não houver compensação para este trabalho, ou melhor, deixar de ser rentável, os mineiros e os nós poderão parar de trabalhar na validação de transações e na estabilidade da rede.

Para melhor entenderem damos um exemplo: Temos um pedreiro que vai a uma casa renovar um quarto. O pedreiro tem custos de material, de mão de obra física e vai levar algum tempo para fazer esse trabalho. Quando o trabalho estiver concluído, ele apresentará uma fatura que contemplará esses custos e, logicamente, receberá o pagamento da mesma, tendo um benefício económico em virtude do seu trabalho.

Os mineiros fazem o mesmo, mas digitalmente, e assim que eles deixem de receber uma recompensa económica que satisfaça as suas necessidades, deixarão de trabalhar para manter a rede.

Assim, o valor das bitcoins só pode aumentar se o valor destes crescer. Por exemplo, uma caixa de cookies que custa 1 €, custará menos em bitcoins se o preço destes aumentar, embora o preço em dinheiro fiduciário não sofra qualquer variação.

Aquisição de bitcoins

O valor das bitcoins também é influenciado pela adoção e sua acumulação ou poupança. Os mineiros normalmente vendem a quantidade de bitcoins necessárias para cobrir os custos fundamentais: eletricidade, manutenção e novos equipamentos. O resto pode ser armazenado com a intenção de vender no futuro, quando o valor dos bitcoins aumentar.

Por exemplo, a primeira vez que alguém pagou com bitcoins foi Laszlo Hayneck, que pagou duas pizzas, numa cadeia de pizzas americanas e lhe custou 10.000 BTC, o que na época equivaleu a aproximadamente US $ 30. Essas mesmas pizzas, em dezembro de 2017 quando a bitcoin estava em US $ 18.000, significariam apenas 0,0016666 BTC.

Adoção como método de pagamento

O quarto e último fator é a adoção como método de pagamento. Quanto mais pessoas escolherem comprar e vender com bitcoins, mais valor elas terão, já que a quantidade é finita, não apenas porque há uma quantidade máxima de bitcoins que podem estar em circulação, mas porque as pessoas mantêm uma parte dessa bitcoins e a quantidade que está disponível no mercado não é a mesmo que está em circulação.

Para que se entenda melhor, no início de outubro de 2018, existiam cerca de 17,3 milhões de bitcoins em circulação, mas na realidade elas não estão todas no mercado por meio de ofertas de vendas. Existe uma quantidade menor, impossível de quantificar, do que o que realmente está disponível no mercado.

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