As moedas nacionais tradicionais como os euros, os dólares ou os rublos têm o nome de dinheiro fiduciário ou fiat.

Às vezes podemos encontrá-lo identificado como papel-moeda ou dinheiro inconversível.

Que significa fiduciário?

De acordo com a infopedia, fiduciário tem 3 significados, dos quais os dois primeiros já deixam claro o que este adjetivo significa aplicado ao dinheiro, especialmente para uma moeda concreta.

Fiduciario, ria

Do lat. fiduciarĭu.

  1. adj. Que depende de confiança, fiducial
  2. adj. que revela confiança.


E o que significa este adjetivo aplicado a uma moeda?

Moeda fiduciária

  1. Moeda em papel que não está garantida por igual valor em metal, circulando com base na confiança.

Dinheiro fiduciário no século XX

Este artigo não pretende ser um ensaio sobre o dinheiro como o conhecemos, nem mesmo um resumo da história dele, mas pretendemos recordar alguns marcos importantes que não podem ser ignorados quando se fala de dinheiro fiduciário.

Ao longo da história, o dinheiro tinha um valor intrínseco, isto é, as moedas de cada divisa específica valiam o mesmo que do material de que eram feitas.

É por isso que, obviamente, os dobrões de ouro tinham mais valor que os dobrões de prata.

Neste momento, isso é impossível, uma vez que a expansão da sociedade humana tem sido brutal e a quantidade de dinheiro fiduciário em circulação é de dimensões estratosféricas. De facto, atualmente é impossível medir e saber quanto dinheiro fiduciário existe.

O oposto de dinheiro fiduciário ou fiat é o dinheiro de mercadoria, em que o valor da moeda é determinado pelo material com o qual é feito.
A nível mundial, temos funcionado com dinheiro de mercadorias durante séculos e foi justamente no século XX, que essa forma de dinheiro foi eliminada para transações quotidianas do dia-a-dia e mesmo para transações comerciais de alto volume.

Esta transição não foi coincidência ou de um dia para o outro.
O dinheiro fiduciário já tinha sido inventado há algum tempo, mas não era a forma mais usada de dinheiro, uma vez que era necessário confiar em terceiros, que também beneficiavam de outros, usando o dinheiro fiat.

O princípio do fim do dinheiro de mercadoria

Com o ouro não necessita de confiar noutra pessoa, para lhe garantir o valor do que tem.
Nem depende de uma entidade de poder central (banco ou estado) para emitir ou creditar a autenticidade desse dinheiro.
Ao contrário da moeda fiduciária, mantém o seu valor ao longo do tempo.
Tudo começou quando a Reserva Federal Americana (FED) foi criada em 23 de dezembro de 1913 no início do século XX.

A FED foi criada para evitar grandes crises financeiras e garantir que a economia seja separada do poder político.
Porém, é curioso que com estas duas missões ambiciosas, a FED é uma entidade privada (e em teoria autónoma do Governo) e foi criada em segredo por representantes dos maiores bancos privados dos EUA.

A criação da Reserva Federal Americana (FED)

Um dos encontros mais decisivos para criar a FED ocorreu no que hoje é conhecido como o Clube da Ilha de Jekyll, um distinto clube privado de empresários (banqueiros e grandes empresários).

A reunião privada que permaneceu para a história do dinheiro fiduciário, ocorreu em 22 de novembro de 1910, e segundo se conhece, assistiram as seguintes pessoas:

-Nelson Wilmarth Aldrich: Empresário e banqueiro. Ocupou diferentes posições políticas, entre elas o de senador, no final do século XIX
-Frank A. Vanderlip: National Bank of New York (parceiro dos Rockefeller)
-Henry P. Davison: Sócio Principal da J.P. Morgan
-Benjamin Strong: Representante da J.P. Morgan
-Charles D. Norton: Presidente do First National Bank of New York
-Edward M. House: Coronel do Exército dos EUA e depois conselheiro de Woodrow Wilson, 28º Presidente dos Estados Unidos
-Paul Warburg: Banqueiro americano nascido na Alemanha. Representante da Kuhn, Loeb & Co.

As razões (ou desculpa) da criação da FED duraram pouco e o crash de 1929 mostrou que o fracasso do sistema era uma questão estrutural, fechado o clube de Jekyll Island dedicaram-se manter os seus negócios fiduciários; e assim por diante até hoje.

O fim do ouro como moeda

Em 1931, o modelo ‘Padrão-ouro‘, idealizado por David Hume em 1752, foi eliminado onde, em resumo, as dívidas contraídas com dinheiro fiduciário podiam ser pagas com ouro. Este sistema reinou na Europa do século XX, mas hoje em dia não é mais viável e o sistema que usa o dinheiro fiduciário, é hoje baseado na confiança.

Em 1971, o presidente Nixon tornou oficial o fim do cumprimento dos acordos de Bretton Woods ao eliminar o padrão ouro-dólar, por meio do qual os Estados Unidos deixariam de cumprir a promessa de trocar dólares por ouro físico para os seus cidadãos. As medidas do presidente Nixon, conhecidas como Nixon Shock, trouxeram consequências irreversíveis para a economia global, que entrou totalmente num sistema financeiro e bancário internacional fiduciário a 100%.

As notas e moedas atuais têm um valor de acordo com o número impresso, mas não são apoiadas por nada. O valor que têm é um valor representado. E este valor será mantido ou diminuído dependendo da confiança dos outros na economia do seu país.

Uma das principais características da moeda fiduciária (fiat) é que é controlada por órgãos e entidades autorizadas, como os bancos centrais de cada país ou, no caso do euro, pelo Banco Central Europeu.

O que significa tudo isto na prática?

Esta situação permite que bancos e governos tenham controlo absoluto sobre o dinheiro fiduciário e possam imprimir mais notas de acordo com a necessidade de cada Estado e a estratégia (política) que desejam seguir.

Isto significa que atualmente a moeda fiat não tem um número fixo de unidades que podem ser emitidas, nem um padrão certo e previsível de quando serão emitidas mais e como serão distribuídas; Além disso, o dinheiro fiduciário é sempre da propriedade do Estado que o emite, portanto, qualquer forma de dinheiro digital que tenha numa conta bancária ou de cartão não é seu.

Ou seja, não somos proprietários do dinheiro fiduciário, mas apenas titulares do mesmo. Por tudo isto, a moeda fiduciária será sempre afetada pela inflação e, hoje em dia, cada nota fiat é muito mais semelhante a um certificado de dívida do que a uma reserva de valor.

De facto, o valor das moedas fiduciárias é facilmente manipulado, já que, em caso de necessidade, um governo pode desvalorizar uma moeda.

Aquele que há muito, tem menos valor do que aquele que há pouco. Por exemplo, quando se emitem mais euros, o montante de euros em circulação aumenta. Então o valor (o poder de compra) é reduzido.

Isto, administrado incorretamente, é um problema, já que essa desvalorização aumenta as taxas de câmbio entre as moedas e torna mais caro a troca do dinheiro para outras moedas fiduciárias. Isto implica uma perda de poder de compra e até mesmo os estados podem impedir a retirada de capital.

Precisamente, as criptomoedas dão aos usuários mais poder sobre seu próprio dinheiro:

Para começar, um usuário de criptomoedas puras, por exemplo Bitcoin, não é apenas o titular direto do seu dinheiro, mas também o proprietário dele e só ele decide como, onde e quanto dinheiro envia ou recebe.
Ninguém te pode censurar em nenhum aspeto.

Além disso, são os usuários que decidem quanto vale uma criptomoeda com base na sua utilidade real, sendo que a sua utilidade é estipulada com base na necessidade que cobre, e na medida do que faz. Quanto mais e melhor ela cobrir a necessidade de troca e custódia de valor em humanos, mais útil será.

Os governos não nos dão liberdade, eles forçam e obrigam apontando armas e cadeia para pagarmos na moeda que eles decidem através do pagamento de impostos. E se não pagarmos os impostos, sabemos o que acontece…

Os governos são os cobradores do fraque de um jogo macabro em que não decidimos jogar com uma moeda fiduciária, mas que tentam evitar que a todo o custo que escapemos.

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